Quem inventou o álcool em gel? Conheça mais sobre essa história inusitada

História publicada no jornal britânico The Guardian afirma que o item teria sido criado em 1968 por Lupe Hernandez, estudante de Enfermagem, na Califórnia, mas não existem registros que comprovem isso

A pandemia provocada pelo novo coronavírus transformou o álcool em gel em item de primeira necessidade. Se, antes, esse eficiente antisséptico poderia ser usado esporadicamente por quem quisesse manter mais segurança ao entrar em um ônibus ou metrô lotado, sua presença em supermercados desapareceu especialmente nas primeiras semanas de disseminação da doença.

A recomendação de seu uso na pandemia justifica-se pela sua eficácia na higienização das mãos, além da praticidade. Para tanto, é imprescindível que o álcool tenha uma concentração mínima de 70%, já que a porcentagem comum apenas atua para limpar superfícies e objetos, sem eliminar germes.

A atuação antisséptica do álcool em gel ocorre por meio da desnaturação lipídica e proteica de micro-organismos patogênicos depositados na pele e nas superfícies de objetos e superfícies.

Além de ser mais eficiente do que água e sabão, o álcool em gel inibe o crescimento de bactérias na pele das mãos, o que faz dele um elemento preventivo e não só corretivo. Seu primeiro destaque como desinfetante em uma pandemia ocorreu em 2009, com a disseminação da gripe H1N1.

Histórico

Mais antigo do que muita gente, o álcool em gel já era usado no Egito Antigo para desinfetar ferimentos, o que permaneceu nos séculos seguintes. Contudo, as primeiras evidências do seu efeito enquanto esterilizador surgiram apenas em 1875, quando um cientista descobriu que o etanol eliminava germes ao enfraquecer a barreira de células de bactérias.

A descoberta de que o álcool 70% era mais eficiente ocorreu somente em 1911, quando cientistas identificaram que o peso (e não o volume de soluções alcoólicas) tinha fundamental importância sobre a atividade microbiana. Vinte anos depois, a Ciência descobriu que o álcool isopropílico, na época, mais usado em hospitais, era ainda mais eficaz do que o etanólico.

Criada em 1946 nos Estados Unidos, a empresa Gojo foi fundada pelo casal Goldie e Jerome Lippman, que buscava criar uma substância que limpasse a pele das mãos, sem danificá-la.

Com o aumento do preço do petróleo, em 1988, a Gojo criou o Purell, a partir de um agente denominado acrilato, o que pode ter sido o primeiro álcool em gel do mercado no mundo. Na mesma época, outros desinfetantes de mão contendo gel também surgiram na Europa.

Origem misteriosa

Embora tenha alcançado reconhecimento internacional durante a disseminação da COVID-19, o álcool em gel tem uma origem desconhecida até os dias de hoje. Em 2012, a jornalista Laura Barton publicou no periódico britânico The Guardian um artigo sobre a procedência do produto.

Segundo Barton, o álcool em gel teria sido inventado em 1968 por Lupe Hernandez, uma estudante de Enfermagem em Bakersville, na Califórnia. A criação teria sido motivada pela falta de água e sabão que afetava muitas pessoas.

Uma das questões se refere à fonte dessa informação, que não foi citada por Barton. Historiadores e outros jornalistas dos Estados Unidos tampouco conseguiram confirmar o fato.

A história chegou em Washington, um dos maiores complexos de museus no mundo, onde se identificou que uma das historiadoras sênior da instituição, Joyce Berdi, foi quem concedeu entrevista para a repórter.

Contudo, Berdi afirmou que nenhuma patente havia sido encontradas em nome de Lupe Hernandez, nem variações próximas a esse nome. A partir disso, foi levantada a hipótese de que Lupe seria homem. O Kern County Museum, em Bakersville, negou que houvesse qualquer registro da existência de Lupe. Assim, a história sobre a origem do álcool em gel permanece rodeada de mistérios.