luciano mestrich motta fala sobre investimentos em renda fixa

luciano mestrich motta fala sobre investimentos em renda fixa

luciano mestrich motta fala sobre investimentos em renda fixa

Investindo em Renda Fixa

Muita gente tem me procurado para pedir conselhos sobre investimentos, mas logo já avisam que quando se trata de investimentos seu perfil é ultraconservador e que quer investir apenas em Renda Fixa. Por isso, hoje resolvemos convidar o renomado especialista em investimentos Luciano Mestrich Motta para falar sobre esse tipo de investimento, que é o queridinho dos brasileiros. Para quem não sabe, o Luciano Mestrich foi diretor Estatutário de Finanças e Controladoria de diversas empresas importantes do mercado brasileiro! Além disso, vamos estabelecer um custo de oportunidade, que será muito útil quando formos falar sobre outros tipos de investimento daqui em diante.

O que é a Renda Fixa?

Investir em renda fixa, nada mais é do que emprestar dinheiro pra alguém. Há diversos produtos, com diferentes nomes, mas no fundo a essência é a mesma. Você pode adquirir um título público, por exemplo, e estará emprestando dinheiro ao tesouro nacional. Se você investir em um CDB, estará emprestando o seu dinheiro a um banco e se optar por uma debênture, estará emprestando a empresas, dentre outras modalidades.

O ponto central a se analisar ao investir em renda fixa é o tripé risco, retorno e liquidez. Essas variáveis se relacionam da seguinte forma:

  • Quanto maior o risco, maior o retorno;
  • Quanto maior a liquidez, menor o retorno.

A consequência lógica da combinação das duas afirmações acima é a seguinte: O título que ao mesmo tempo for o mais líquido e menos arriscado, necessariamente deverá ser o que oferece a menor rentabilidade. Caso haja algum outro título que ofereça uma rentabilidade menor do que esse primeiro, do ponto de vista estritamente racional, aquele título deveria atrair zero capital. Títulos como esses, não deveriam sequer existir, mas eles não só existem como atraem grande capital de investidores pessoas física no Brasil, por puro desconhecimento desses.

Existe risco na Renda Fixa?

A segurança do tesouro

Para Mestrich Motta, como renda fixa é um empréstimo, o risco da operação reside na capacidade do seu devedor de honrar as suas dívidas. Quanto a isso, no que diz respeito a investimentos na nossa moeda, não há entidade com maior capacidade de lhe pagar o empréstimo do que o tesouro nacional. Afinal de contas ele é o único que tem a máquina de imprimir dinheiro, e sempre poderá lançar mão desse recurso para pagar suas dívidas, caso necessite.

Claro que, se chegar a esse ponto, pode ser que você investidor esteja tomando um calote branco, que funciona da seguinte forma: Você emprestou R$ 100 e ficou estabelecido que você receberia R$ 110 um ano depois. Se o governo precisar imprimir dinheiro pra lhe pagar, ele lhe pagará os R$ 110 combinados, mas talvez esse dinheiro agora consiga comprar apenas o que você comprava com R$ 90,00 quando fez a operação.

Isso é uma forma de calote, sem dúvidas, mas ainda assim é melhor do que emprestar pra alguém que peça falência e não lhe pague absolutamente nada.

O Fundo Garantidor de Crédito

Caso queira investir em uma instituição privada, é possível investir com segurança considerável escolhendo produtos que contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), cujos mais populares são os seguintes:

  • Poupança
  • Letras de câmbio
  • Letras de crédito
  • CDB
  • LCI
  • LCA

O FGC é uma associação que administra um mecanismo de proteção aos investidores que permite recuperar até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, incluindo principal e juros. Isso quer dizer que se você investiu em algum dos produtos citados acima e o seu devedor quebrar, o seu investimento estará assegurado dentro desse limite.

Veja que a estratégia prudente a se utilizar nesse caso é investir um valor abaixo de R$ 250 mil, de forma que o seu principal mais juros continuem sempre abaixo do limite assegurado. Caso você queira investir um valor superior a esse, você pode pulverizar o seu investimento em várias quantias de R$ 200 mil, por exemplo, em instituições financeiras diferentes.

Sem proteção

Por fim, se você está disposto a se arriscar um pouco mais em busca de rentabilidade, ou seu investimento não cabe mais dentro do guarda chuva do FGC, será necessário olhar para o balanço do seu devedor pra julgar o nível de risco da operação, caso tenha conhecimento nesse assunto.

No nosso papo de hoje não abordarei análise de balanço de empresas, mas pretendo escrever sobre isso em outra ocasião. Ainda assim, quando alguma pessoa jurídica quer se financiar, esta geralmente contrata uma agência de risco para fazer esse trabalho de análise e esta lhe atribui uma nota de crédito que servirá de referência, mas claro, se você souber fazer sua própria análise, você investirá com mais confiança.

Modalidade de Títulos de Renda

Se você quiser fazer um investimento em renda fixa agora, existirão várias opções diferentes de investimento, mas que no fundo se resumem a três modalidades: títulos pós-fixados, pré-fixados e indexados.

Títulos pós-fixados

Um título pós-fixado é aquele cuja rentabilidade é conhecida apenas a posteriori, ou seja, você não sabe qual será a sua rentabilidade no momento em que o adquire. Normalmente esses títulos lhe são apresentados como um percentual do CDI, portanto, esse título irá lhe render mais quanto mais alta for a taxa básica de juros.

Não vem ao caso explicar nesse texto o que é o CDI na sua concepção, o que importa pra gente é que se trata de uma taxa de juros publicada diariamente pela CETIP e que costuma ser bem próxima da taxa básica de juros da nossa economia, a taxa SELIC, cujo valor é estabelecido pelo banco central . 

Uma característica importante dos títulos pós-fixados é que todos os dias você vê o valor do seu título subir um pouquinho, não importa o que aconteça. Todos os dias a sua rentabilidade será positiva, ao contrário das outras duas modalidades, como explicarei a seguir. Esse é o título clássico do investidor ultraconservador, não há nenhuma possibilidade de ganhar acima do mercado, mas também não se desvaloriza nunca.

Títulos pré-fixados

O título pré-fixado é aquele que, ainda no momento da contratação, já se sabe exatamente quanto vai render no final do período. Um título desses poderá lhe ser oferecido, por exemplo, como 9% ao ano com vencimento em dois anos. Nesse caso não importa o que o banco central decida sobre a SELIC, ou o que aconteça com a inflação, a sua rentabilidade no final do período sempre será aquela pré-estabelecida.

Veja bem, investidor, como eu disse, você sabe exatamente quanto receberá no final período, mas por conta dessa característica, você poderá ver o seu título se desvalorizar no curto prazo, rentabilidade negativa mesmo.

Funciona assim: pegue esse mesmo exemplo do título pré-fixado com taxa de 9% ao ano e prazo de dois anos. Se o banco central subir a taxa SELIC para, digamos 10% ao ano, novos títulos estarão disponíveis para novos investidores a taxas maiores do que aquela do título que você adquiriu.

Isso quer dizer que agora o seu título perdeu valor de mercado e caso você queira vendê-lo antes do vencimento, provavelmente o fará por menos até mesmo do que aquilo que você pagou e a operação será deficitária, mas claro, se você suportar a dor de ver o seu investimento no vermelho por um tempo e ficar com o título até o vencimento, receberá os 9% ao ano conforme o combinado.

Por outro lado, se você adquiriu esse mesmo título do exemplo, e agora os novos investidores só conseguem comprar títulos a apenas 8% ao ano, será possível vender o seu título antes do vencimento, só que agora com um belo ágio e a sua rentabilidade será superior àquela contratada.

Apenas tenha em mente que, quando você se logar na sua corretora para consultar o saldo dos seus investimentos, esta lhe mostrará os títulos a valor de mercado e estes oscilam mesmo, isso é normal. Portanto, não se assuste, lembre-se que você sempre poderá levar o título até o vencimento e a rentabilidade contratada estará assegurada.

Títulos indexados à inflação

Por fim, o título indexado à inflação é aquele que lhe paga uma taxa acima da inflação, pode ser IPCA + 5%, por exemplo. Como esse título sempre rende acima da inflação, ele é o único que está imune ao calote branco que eu mencionei anteriormente. Portanto, se você quiser ter o investimento menos arriscado de todos, escolherá um título público indexado à inflação, pois conforme explicado, se tudo der errado o tesouro usa a sua maquina de imprimir dinheiro, só que dessa vez você está protegido da inflação.

Essa modalidade também tem volatilidade no curto prazo, assim como o pré-fixado. Dessa forma, caso novos títulos sejam ofertados com taxa de IPCA + 6%, o seu, que você contratou por inflação + 5%, passa a valer menos no curto prazo, caso queira vendê-lo antecipadamente.

Chega de fatos, vamos à opinião do especialista Luciano Mestrich Motta

Agora que o Luciano Mestrich Motta já falou sobre diferentes modalidades de investimentos em renda fixa, quero deixar aqui a minha preferência pessoal sobre os produtos, mas antes disso, quero lhe sugerir que abra uma conta em uma corretora independente, caso ainda não o tenha feito.

Existem várias no mercado, não farei propaganda de nenhuma delas aqui, apenas lhe aconselho que não seja a corretora do seu banco, pois assim você terá acesso a produtos de outras instituições financeiras e poderá escolher o que é mais vantajoso pra você. Abrir conta em uma corretora é gratuito e está a apenas alguns cliques de distância.

Títulos Públicos X Outros Investimentos de Renda Fixa

Lembra que eu mencionei que não há razão pra existir títulos que rendem menos do que outro que seja ao mesmo tempo o mais seguro e o mais líquido do mercado? Pois bem, esses títulos de referência existem e são os Título Públicos, afinal eles possuem liquidez imediata e, como comentei acima, trata-se da instituição mais solvente quando se trata da nossa moeda.

Isso quer dizer, investidor, que você não deveria aceitar jamais um CDB que rende menos do que 100% do CDI ou uma LCI ou LCA que rende menos do que 85% do CDI (LCI e LCA contam com isenção de imposto de renda). Eu fiz uma consulta na caixa econômica federal e a rentabilidade que me ofereceram no CDB foi de 85% do CDI e certamente os demais bancos de varejo também não oferecem muito mais do que isso.

O “Almoço Grátis”

Existe uma máxima sobre investimentos que diz que “não existe almoço grátis” porque sempre que se almeja melhorar alguma característica do seu investimento, há que se abrir mão de outra característica.

Por exemplo: se você quer mais rentabilidade, precisa abrir mão de segurança ou de liquidez.

Pois aqui nesse caso estamos falando de um verdadeiro “almoço grátis” para o investidor que migrar do CDB que paga 85% do CDI para investir no tesouro a uma taxa de 100% do CDI.

Qual Modalidade de Título Escolher?

Sobre a escolha entre as modalidades pós-fixado, pré-fixado ou indexados à inflação, vamos a algumas considerações.

Se a economia fosse totalmente estável, ou seja, a inflação e a SELIC fossem sempre as mesmas, ano após ano, as três modalidades deveriam se equivaler em rentabilidade. O que vai determinar qual modalidade será a mais rentável é justamente os movimentos da inflação e da taxa básica de juros, os quais são bastante difíceis de prever.

Se você não possui essa expertise sobre as variáveis macroeconômicas, meu conselho é que você não se aventure por conta própria e prefira os títulos pós-fixados, que não têm a tal marcação a mercado.

Recentemente houve um movimento óbvio de queda de juros, que quem estava investindo teve certa facilidade em aproveitar comprando títulos pré-fixados ou indexados à inflação, mas agora estamos chegando ao final desse ciclo e ninguém mais sabe o que vai acontecer. Portanto se você surfou essa onda, tenha cuidado para não se tornar excessivamente confiante na sua capacidade de bater o mercado.

Em suma, pra quem quer investir em renda fixa, a minha sugestão é a seguinte:

Para aquele dinheiro que você precisa de liquidez, seja a sua reserva de emergência, ou aquela grana que você quer deixar à mão a espera de uma boa oportunidade de investimento, a melhor opção é investir em títulos do tesouro na modalidade pós-fixado, conhecido como “tesouro SELIC”.

Para aquele dinheiro que você tem certeza que não vai precisar em um período mais longo, a minha dica é investir em produtos pós-fixados de bancos pequenos, que pagam taxas mais elevadas e o risco é mitigado por conta do FGC.

O Título Referencial como Custo de Oportunidade

Olhando na plataforma de renda fixa da minha corretora, encontrei um CDB que paga 120% do CDI, mas sem possibilidade de resgate por três anos.

A partir de agora, esse título passará a ser o nosso custo de oportunidade.

Nos próximos artigos, falarei sobre outros tipos de investimento que não são de renda fixa e para sabermos se eles são realmente bons, eles terão que bater o CDB de 120% do CDI, afinal de contas, a comparação será entre investimentos de longo prazo, ou seja, se equivalerão em liquidez, porém o risco do CDB é baixíssimo.

Desse modo as outras opções de investimento que eu apresentar terão que trazer uma boa recompensa na rentabilidade.

E aí, será que compensam?

Não deixe de acompanhar nosso blog pra não perder o nosso próximo papo e compartilhe o texto com aquele seu amigo que quer começar a investir.

Um abraço, e até o próximo papo.